
Introdução
A andropausa, também chamada de deficiência androgênica do envelhecimento masculino, é caracterizada pela queda gradual da testosterona a partir dos 40–50 anos. Essa redução hormonal está associada a perda de massa muscular e força, redução da densidade óssea, aumento da gordura corporal, fadiga e até alterações cognitivas e de humor
(MATSUMOTO, 2002; BAIN et al., 2007).
Embora a terapia de reposição de testosterona seja a estratégia médica indicada em casos selecionados, intervenções de estilo de vida, como alimentação adequada, prática regular de exercícios físicos e uso de suplementos nutricionais, podem atuar como adjuvantes nesse processo. Entre eles, a creatina tem se destacado como uma opção segura e eficaz.
O que é a Creatina?
A creatina é um composto naturalmente produzido pelo fígado, rins e pâncreas, e armazenado principalmente no músculo esquelético. Atua como fonte rápida de energia através do sistema fosfocreatina–ATP, essencial para esforços de alta intensidade e curta duração.
Além disso, a suplementação com creatina tem sido amplamente estudada, mostrando benefícios que vão além do esporte, incluindo saúde muscular, óssea, metabólica e cognitiva
(KREIDER et al., 2017; GUALANO et al., 2012).
Creatina e Massa Muscular na Andropausa
Com a queda da testosterona, há tendência a perda de massa magra (sarcopenia) e redução de força muscular.
A suplementação com creatina, associada a exercícios resistidos, tem se mostrado eficaz em estimular a síntese proteica, aumentar a massa muscular e melhorar o desempenho físico em homens mais velhos (CANDOW et al., 2014).
Esse efeito ajuda a contrabalançar a perda natural de músculo observada durante a andropausa.
Creatina e Função Cognitiva
Outro ponto relevante da andropausa são as alterações cognitivas e de humor, incluindo lapsos de memória e maior risco de fadiga mental. Evidências apontam que a creatina pode melhorar a função cerebral em situações de estresse metabólico, possivelmente pela maior disponibilidade de energia neuronal (RAWSON et al., 2018).
Recomendações Práticas
• Dose usual: 3 a 5 g/dia de creatina monohidratada, em uso contínuo, é considerada segura e eficaz (KREIDER et al., 2017).
• Uso adjuvante: deve ser associada a uma rotina de exercícios, especialmente musculação, e uma dieta equilibrada.
• Segurança: a creatina é bem tolerada em adultos saudáveis, sem evidências de risco renal em indivíduos sem doença prévia (KREIDER et al., 2017)
Conclusão
A creatina pode ser considerada uma ferramenta adjuvante importante no cuidado com homens acima dos 40 anos em andropausa.
Seus benefícios incluem:
• manutenção e aumento da massa muscular,
• suporte à saúde óssea,
• melhora da força física e
• potenciais efeitos cognitivos.
Não substitui a avaliação médica nem a terapia de reposição hormonal quando indicada, mas pode ser um complemento valioso dentro de uma estratégia global de saúde, que deve sempre envolver alimentação adequada, exercícios e acompanhamento clínico individualizado.
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Referências (ABNT)
• BAIN, J.; SNYDER, P. J.; KOVACIC, D. Aging and andropause: hormone replacement therapy in older men. New England Journal of Medicine, v. 357, p. 123–135, 2007.
• CANDOW, D. G. et al. Effect of creatine supplementation and resistance training on muscle strength and health in older adults. Journal of Nutrition, Health & Aging, v. 18, p. 240–245, 2014.
• GUALANO, B.; RAWSON, E. S.; CANDOW, D. G.; CHILIBECK, P. D. Creatine supplementation in the aging population: effects on skeletal muscle, bone and brain. Amino Acids, v. 42, p. 749–761, 2012.
• KREIDER, R. B. et al. International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine. J Int Soc Sports Nutr, v. 14, n. 18, p. 1–18, 2017.
• MATSUMOTO, A. M. Andropause: clinical implications of the decline in serum testosterone levels with aging in men. J Gerontol A Biol Sci Med Sci, v. 57, n. 2, p. M76–M99, 2002.
• RAWSON, E. S.; VANCOTT, T. C.; MIDDLEKAUFF, H. R. Creatine supplementation and cognitive performance: a review. Journal of Clinical Psychopharmacology, v. 38, n. 4, p. 368–374, 2018.