Menopausa: sintomas mais prevalentes, papel dos hormônios e fundamentos da terapia hormonal integrada

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A menopausa é definida como a cessação permanente da menstruação decorrente da falência ovariana, confirmada após 12 meses consecutivos de amenorreia, e representa uma transição fisiológica relevante no envelhecimento feminino.

Essa fase é caracterizada por uma queda progressiva e sustentada dos níveis de estrogênio, progesterona e testosterona, hormônios que exercem funções essenciais em diversos sistemas do organismo. Embora seja um evento natural, a menopausa pode cursar com sintomas intensos, persistentes e capazes de impactar de forma significativa a qualidade de vida, o desempenho funcional e a saúde metabólica da mulher.

Sintomas da menopausa mais comuns e mais prevalentes

Os sintomas vasomotores são os mais prevalentes da menopausa. Ondas de calor e sudorese noturna acometem entre 60% e 80% das mulheres durante a transição menopausal, podendo persistir por mais de sete anos em uma parcela expressiva das pacientes (Santoro; Randolph, 2011; NAMS, 2022).

Alterações do sono também são extremamente frequentes, afetando aproximadamente 40% a 60% das mulheres, incluindo dificuldade para iniciar o sono, despertares noturnos e sono não reparador (NAMS, 2022). Sintomas psicológicos, como irritabilidade, ansiedade e humor deprimido, são relatados por cerca de 30% a 50% das mulheres nessa fase da vida (Santoro; Randolph, 2011).

A síndrome geniturinária da menopausa, caracterizada por ressecamento vaginal, dispareunia, ardor urinário e infecções urinárias recorrentes, acomete aproximadamente 40% a 50% das mulheres após a menopausa, com tendência à progressão na ausência de tratamento (NAMS, 2022).

Além disso, são observadas alterações metabólicas e corporais importantes, como redistribuição da gordura corporal para o padrão abdominal, perda de massa muscular e redução progressiva da densidade mineral óssea, aumentando o risco de osteoporose e fraturas (Rosano et al., 2019). A redução da libido e do desejo sexual é relatada por cerca de 40% a 55% das mulheres no período pós-menopausal (Davis et al., 2019).

Por que a menopausa envolve três hormônios

Apesar do estrogênio ser o hormônio mais associado à menopausa, essa fase é marcada pela redução concomitante de três hormônios fundamentais: estrogênio, progesterona e testosterona (Santoro; Randolph, 2011). Cada um deles desempenha funções específicas e complementares, o que explica a diversidade de sintomas observados. A compreensão desse eixo triplo é essencial para uma abordagem terapêutica mais eficaz e individualizada (NAMS, 2022).

Quando cada hormônio tende a ajudar mais

Quando predominam sintomas vasomotores, como ondas de calor intensas, sudorese noturna, além de sintomas geniturinários e risco aumentado de perda óssea, o estrogênio é o hormônio central da terapia, sendo considerado o tratamento mais eficaz para esses quadros (NAMS, 2022).

Em mulheres com útero, a progesterona deve ser obrigatoriamente associada ao estrogênio, pois reduz de forma significativa o risco de hiperplasia e câncer de endométrio induzidos pelo estrogênio isolado. Além disso, a progesterona pode contribuir para melhora do sono e redução de sintomas ansiosos, especialmente em mulheres com queixa de insônia.

Já em mulheres nas quais predominam sintomas como queda da libido, fadiga persistente, redução da energia, diminuição da massa e força muscular e piora do bem-estar global, a testosterona pode ser considerada como terapia adjuvante, em doses fisiológicas e com monitoramento adequado (Davis et al., 2019; Wierman et al., 2014).

A principal indicação formalmente reconhecida é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo na pós-menopausa (Davis et al., 2019). Na prática clínica, é comum que esses sintomas coexistam, o que justifica uma abordagem integrada, considerando os três hormônios de forma complementar e personalizada (Manson et al., 2017).

Riscos e contraindicações da terapia hormonal

A terapia hormonal não é indicada para todas as mulheres. As principais contraindicações incluem câncer de mama hormônio-dependente ativo, câncer de endométrio não tratado, tromboembolismo venoso prévio sem causa reversível, doença hepática grave e sangramento uterino sem diagnóstico definido.

Os riscos associados à terapia hormonal variam conforme idade, tempo desde a menopausa, tipo de hormônio, dose e via de administração, sendo menores quando a terapia é iniciada antes dos 60 anos ou dentro dos primeiros 10 anos após a menopausa, em comparação ao início tardio (Manson et al., 2017; Canonico et al., 2016).

Por que considerar a abordagem integrada com os três hormônios

A menopausa é uma transição hormonal complexa. Tratar apenas um hormônio pode aliviar parte dos sintomas, mas nem sempre resulta em melhora global da qualidade de vida. A abordagem integrada com estrogênio, progesterona e testosterona permite um cuidado mais completo, alinhado às evidências científicas, ao perfil clínico e às necessidades individuais da mulher.

Referências Bibliográficas

CANONICO, M. et al. Postmenopausal hormone therapy and cardiovascular disease. *European Heart Journal*, Oxford, v. 37, n. 24, p. 1899–1907, 2016. DAVIS, S. R. et al. Global consensus position statement on the use of testosterone therapy for women. *Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism*, Oxford, v. 104, n. 10, p. 4660–4666, 2019. MANSON, J. E. et al. Menopause management — getting clinical care back on track. *New England Journal of Medicine*, Boston, v. 377, n. 8, p. 803–806, 2017. NAMS – NORTH AMERICAN MENOPAUSE SOCIETY. The 2022 hormone therapy position statement. *Menopause*, Philadelphia, v. 29, n. 7, p. 767–794, 2022. ROSANO, G. M. C. et al. Hormone replacement therapy and cardiovascular disease. *European Heart Journal*, Oxford, v. 40, n. 28, p. 2318–2323, 2019. SANTORO, N.; RANDOLPH, J. F. Reproductive hormones and the menopause transition. *Obstetrics and Gynecology Clinics of North America*, Philadelphia, v. 38, n. 3, p. 455–466, 2011. STANCZYK, F. Z. et al. Progestogens used in postmenopausal hormone therapy. *Journal of Steroid Biochemistry and Molecular Biology*, Oxford, v. 142, p. 147–156, 2013. WIERMAN, M. E. et al. Androgen therapy in women: a reappraisal. *Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism*, Oxford, v. 99, n. 10, p. 3489–3510, 2014.

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