Baixa libido na menopausa: o que a evidência científica mostra sobre fitoterápicos, vitaminas e minerais?

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A redução da libido é uma das queixas mais frequentes durante a transição menopausal. A diminuição progressiva de estrogênio e androgênios, especialmente testosterona, pode impactar desejo sexual, excitação e satisfação. Além do componente hormonal, fatores psicológicos, qualidade do sono, sintomas vasomotores e alterações de humor também contribuem para a redução do desejo.
Estima-se que entre 40% e 55% das mulheres na pós-menopausa relatem diminuição do desejo sexual. Diante disso, cresce o interesse por intervenções não hormonais, incluindo fitoterápicos, vitaminas e minerais.

Mas o que a evidência científica realmente demonstra?

Lepidium meyenii (Maca)

A maca é um dos fitoterápicos mais estudados em relação à função sexual feminina. Ensaio clínico randomizado demonstrou melhora significativa nos escores de desejo sexual em mulheres na pós-menopausa após suplementação com maca, quando comparado ao placebo. Importante destacar que o estudo não demonstrou alterações significativas nos níveis séricos hormonais, sugerindo possível efeito central ou adaptogênico.

Outro ensaio clínico também observou melhora de sintomas sexuais em mulheres utilizando antidepressivos, com aumento do desejo em comparação ao placebo.

Panax ginseng

O ginseng tem sido investigado pela sua ação sobre vitalidade e função sexual.Ensaio clínico randomizado mostrou melhora significativa em domínios de excitação e satisfação sexual em mulheres na menopausa. O mecanismo proposto envolve modulação da circulação periférica e possível efeito sobre neurotransmissores.

Tribulus terrestris

Estudo clínico randomizado avaliou Tribulus terrestris em mulheres na pós-menopausa com disfunção sexual e observou melhora significativa nos escores de desejo e satisfação em comparação ao placebo. Contudo, o número de participantes foi relativamente pequeno, exigindo cautela na generalização.

Ginkgo biloba

O Ginkgo biloba foi investigado principalmente para disfunção sexual associada ao uso de antidepressivos. Embora alguns estudos iniciais tenham sugerido melhora, ensaios posteriores não confirmaram benefício consistente em comparação ao placebo. Assim, a evidência é limitada.

Zinco

O zinco participa da síntese e regulação hormonal, incluindo testosterona. Deficiência de zinco pode estar associada à redução do desejo sexual. Embora estudos específicos em menopausa sejam limitados, a correção de deficiência pode contribuir para melhora da função sexual.

Vitamina D

A vitamina D tem sido relacionada à função sexual feminina em estudos observacionais. Níveis mais baixos foram associados a pior função sexual em mulheres na pós-menopausa. Entretanto, ensaios clínicos sobre suplementação ainda são escassos e inconclusivos.

Complexo B

Vitaminas do complexo B participam do metabolismo energético e da síntese de neurotransmissores. Deficiências podem contribuir para fadiga e redução de interesse sexual. A suplementação pode ser útil quando há deficiência documentada.

Considerações finais

A literatura científica sugere que:
• Maca apresenta evidência consistente para melhora do desejo sexual em mulheres na pós-menopausa.
• Ginseng e Tribulus podem ter efeito positivo, mas os estudos ainda são limitados.
• Zinco e vitamina D podem ser relevantes quando há deficiência associada.
• A resposta tende a ser multifatorial e individual.

Os efeitos dos fitoterápicos são geralmente moderados e não substituem avaliação clínica adequada. A baixa libido na menopausa envolve interação entre fatores hormonais, emocionais e relacionais.

Uma abordagem baseada em evidência deve considerar investigação individualizada e, quando necessário, intervenção combinada.

Referências

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