Ferritina: o que é, como se forma e por que costuma estar aumentada

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A ferritina é uma proteína essencial para o equilíbrio do ferro no corpo e um dos exames laboratoriais mais solicitados na prática clínica atual . Embora muitas pessoas associem a ferritina exclusivamente ao “estoque de ferro”, sua interpretação correta exige uma visão mais ampla, pois ela também funciona como um importante marcador de inflamação sistêmica.

Entender o significado da ferritina é fundamental especialmente em pacientes com obesidade, resistência à insulina ou que planejam procedimentos cirúrgicos, como cirurgias plásticas, nas quais o estado inflamatório do organismo influencia diretamente a cicatrização e os resultados finais.

O que é a ferritina

A ferritina é uma proteína intracelular responsável por armazenar ferro de forma segura, evitando que o ferro livre cause danos oxidativos às células. Cada molécula de ferritina pode armazenar milhares de átomos de ferro, funcionando como um verdadeiro “depósito” regulador (CAMASCHELLA, 2019).

No sangue, a ferritina sérica reflete, em indivíduos sem inflamação, os estoques corporais totais de ferro e é considerada o marcador mais sensível para identificar deficiência de ferro em fases iniciais (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2020).

Como a ferritina é formada e qual sua relação com transferrina

O ferro ingerido na dieta é absorvido no intestino delgado e transportado no sangue ligado à transferrina, proteína responsável por levar o ferro até os tecidos que necessitam dele (GANZ; NEMETH, 2015). Após entrar na célula, esse ferro pode ser utilizado imediatamente, incorporado à hemoglobina ou armazenado na forma de ferritina.

A produção de ferritina aumenta quando há maior disponibilidade de ferro ou quando o organismo entra em estado inflamatório. Nessa situação, o corpo “esconde” o ferro dentro da ferritina como mecanismo de proteção, reduzindo sua circulação livre.

Por que a ferritina aumenta

Um ponto central — e frequentemente mal interpretado — é que ferritina alta não significa necessariamente excesso de ferro (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2020). Isso ocorre porque a ferritina é também uma proteína de fase aguda, aumentando sempre que há inflamação, infecção ou dano tecidual.

Entre as principais causas de ferritina elevada, destacam-se:

Inflamação crônica e obesidade: A obesidade é hoje reconhecida como um estado inflamatório crônico de baixo grau. Citocinas inflamatórias produzidas pelo tecido adiposo estimulam o aumento da ferritina, mesmo na ausência de sobrecarga real de ferro (MAYORAL et al., 2022). Por isso, é comum encontrar ferritina elevada em pessoas com excesso de peso e resistência à insulina.

Doenças hepáticas: O fígado é um dos principais órgãos de armazenamento de ferritina. Condições como esteatose hepática não alcoólica e hepatopatias inflamatórias estão fortemente associadas à elevação desse marcador (ADAMS; BARTON, 2020).

Infecções e doenças inflamatórias: Em contextos inflamatórios, o aumento da ferritina faz parte da resposta imune, reduzindo a disponibilidade de ferro para microrganismos.

Sobrecarga de ferro: Na hemocromatose hereditária, ocorre aumento progressivo da absorção intestinal de ferro, levando à elevação da ferritina associada à alta saturação de transferrina.

O que investigar quando a ferritina está elevada

A interpretação correta da ferritina exige sempre análise conjunta com outros exames. Ferritina elevada com saturação de transferrina normal ou baixa sugere inflamação, enquanto ferritina elevada com saturação de transferrina alta levanta suspeita de sobrecarga de ferro.

Marcadores inflamatórios como proteína C reativa, além da avaliação clínica e metabólica, são fundamentais para definir a causa real da alteração.

Ferritina, emagrecimento e cirurgia plástica

Para pacientes que desejam emagrecer ou planejam uma cirurgia plástica, a ferritina elevada por inflamação associada à obesidade pode indicar um ambiente metabólico menos favorável para cicatrização adequada (MAYORAL et al., 2022). Reduzir inflamação, melhorar o metabolismo e tratar a obesidade antes do procedimento cirúrgico é uma estratégia que aumenta segurança e melhora os resultados finais.

Considerações finais

A ferritina é muito mais do que um simples marcador de ferro. Ela reflete o estado inflamatório, metabólico e hepático do organismo. Interpretá-la de forma isolada pode levar a erros diagnósticos e condutas inadequadas. Uma abordagem integrada, baseada em evidências, é essencial para cuidar do paciente de forma segura e individualizada.

Referências (norma ABNT)

ADAMS, P. C.; BARTON, J. C. How I manage hemochromatosis. Blood, [s. l.], v. 135, n. 5, p. 345–352, 2020.

CAMASCHELLA, C. Iron deficiency. The New England Journal of Medicine, [s. l.], v. 381, n. 12, p. 1148–1157, 2019.

GANZ, T.; NEMETH, E. Iron homeostasis in host defence and inflammation. Nature Reviews Immunology, [s. l.], v. 15, n. 8, p. 500–510, 2015.

KELL, D. B.; PRETORIUS, E. Serum ferritin is an important inflammatory disease marker. Metallomics, [s. l.], v. 6, n. 4, p. 748–773, 2014.

MAYORAL, L. P. et al. Ferritin as a key mediator of immune dysregulation in obesity and metabolic syndrome. Obesity Reviews, [s. l.], v. 23, n. 2, e13356, 2022.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO guideline on use of ferritin concentrations to assess iron status in individuals and populations. Geneva: WHO, 2020.

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