Ozempic de pobre”: O que é o tal “Pepsilio” (psyllium) — Funciona mesmo?

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Introdução

Nos últimos meses, muita gente começou a falar sobre um tal “Ozempic de pobre”, chamado de “Pepsilio”. Na verdade, não existe nenhum medicamento com esse nome: o que as pessoas estão chamando assim é o psílio (ou psyllium), uma fibra natural extraída da planta Plantago ovata.

O apelido vem da comparação com o Ozempic® (semaglutida), medicamento injetável indicado para diabetes e obesidade, famoso por ajudar na perda de peso. Mas será que dá para dizer que o psílio é um “Ozempic natural e barato”?

Vamos entender.

O que o psílio realmente faz

O psílio é uma fibra solúvel que, quando misturada à água, forma um gel no estômago e no intestino. Isso gera três efeitos principais:

1.  Mais saciedade: a pessoa demora mais tempo para sentir fome.

2.  Melhor controle da glicose: o esvaziamento gástrico fica mais lento e a absorção dos carboidratos é suavizada.

3.  Colesterol mais baixo: ajuda a reduzir o colesterol ruim (LDL).

Uma revisão de estudos mostrou que quem usou cerca de 10 gramas por dia de psílio, divididos antes das refeições, por alguns meses, perdeu em média 2 kg de peso corporal, além de reduzir cintura e índice de massa corporal

Outro trabalho demonstrou que essa mesma dose de psílio pode reduzir o colesterol LDL em torno de 13 mg/dL, resultado semelhante ao que alguns medicamentos mais leves conseguem.

Em pessoas com diabetes tipo 2, o uso diário ajudou a reduzir a glicose de jejum e a hemoglobina glicada (HbA1c) em até 0,7%, mostrando que é um recurso útil no cuidado metabólico.

E por que chamam de “Ozempic de pobre”?

O apelido surgiu porque o psílio ajuda na saciedade e no controle da glicose, efeitos que também aparecem no uso de medicamentos como a semaglutida.

Mas é preciso deixar claro:
• O Ozempic® pode levar a perdas de 10 a 15% do peso corporal em pouco mais de um ano.
• O psílio, mesmo funcionando, leva a reduções modestas, em torno de 2 kg em alguns meses.

Ou seja, ele é um coadjuvante. Pode ser útil para quem quer melhorar a dieta, reduzir um pouco o apetite e ter ganhos na glicemia e no colesterol. Mas não substitui os efeitos de um medicamento moderno e caro como o Ozempic®

O fator do preço

E aqui está um dos pontos mais comentados: o custo.


• Um mês de Ozempic® pode custar R$ 800 a R$ 1.200 nas farmácias brasileiras.
• Um pote de psílio, suficiente para 1 mês de uso diário em doses eficazes (7–10 g/dia), custa entre R$ 40 e R$ 70.

Não é à toa que ganhou o apelido de “Ozempic de pobre”. É uma opção muito mais acessível, mesmo sem entregar os mesmos resultados.

Como usar na prática

•   Dose: estudos usaram de 7 a 15 gramas por dia, geralmente 10 g divididos antes das refeições principais.

•   Água: é fundamental misturar em bastante líquido — pelo menos um copo cheio — para evitar risco de engasgo ou prisão de ventre.

•   Cuidado com remédios: o psílio pode atrapalhar a absorção de outros medicamentos; por isso, recomenda-se tomar com 2 a 3 horas de diferença.

•   Efeitos adversos: gases, inchaço e, em raros casos, obstrução intestinal em pessoas que não ingerem água suficiente.

Para quem faz sentido

O psílio pode ser uma boa estratégia para:

• Pessoas com sobrepeso leve que querem mais saciedade gastando pouco.
• Quem precisa melhorar o colesterol ou controlar melhor a glicemia junto da dieta.
• Pessoas que não têm acesso a medicamentos caros, mas buscam alternativas naturais e seguras.

Já quem precisa de uma perda de peso mais expressiva, como em casos de obesidade avançada ou presença de múltiplas comorbidades, provavelmente vai precisar de tratamentos mais potentes, sob supervisão médica.

Conclusão

O psílio é um suplemento barato, acessível e bem estudado, que ajuda no controle do apetite, da glicemia e do colesterol. Ele não é, de fato, um “Ozempic natural”, mas pode ser chamado de “Ozempic de pobre” pela comparação em efeitos semelhantes, embora em muito menor intensidade.

Se usado de forma correta, com líquidos e dentro de uma rotina de alimentação equilibrada, pode sim ser um aliado barato e eficiente para quem busca saúde e leve redução de peso.

Referências (ABNT)

GIBB, R. D.; SLOAN, K. J.; McRORIE Jr., J. W. Psyllium is a natural nonfermented gel-forming fiber that is effective for weight loss: A comprehensive review and meta-analysis. Journal of the American Association of Nurse Practitioners, v. 35, n. 8, p. 468-476, 2023.

JOVANOVSKI, E. et al. Effect of psyllium (Plantago ovata) fiber on LDL cholesterol and alternative lipid targets, non-HDL cholesterol and apolipoprotein B: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. American Journal of Clinical Nutrition, v. 108, n. 5, p. 922-932, 2018.

GHOLAMI, Z.; CLARK, C. C. T.; PAKNAHAD, Z. The effect of psyllium on fasting blood sugar, HbA1c, HOMA-IR, and insulin control: a GRADE-assessed systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. BMC Endocrine Disorders, v. 24, n. 82, 2024.

WILDING, J. P. H. et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity (STEP 1). New England Journal of Medicine, v. 384, p. 989-1002, 2021.

HEFNY, A. F. et al. Intestinal obstruction caused by a laxative drug (Psyllium): a case report and review of the literature. International Journal of Surgery Case Reports, v. 52, p. 59-62, 2018.

SHIN, S. et al. Acute esophageal obstruction after ingestion of psyllium seed husk powder: a case report. World Journal of Clinical Cases, v. 10, n. 7, p. 2336-2340, 2022.

HARVARD HEALTH PUBLISHING. Will a fiber supplement interfere with my medications? 2019.

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Maiara
Maiara
26 dias atrás

Que interessante essa matéria que acabei de ler, até compartilhei no meu Facebook. Thais Carla Peso