Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas, como diagnosticar e quais são as opções de manejo
A perimenopausa é o período de transição que antecede a menopausa e pode se estender por vários anos até a cessação definitiva da menstruação. Do ponto de vista clínico, é caracterizada por alterações progressivas na função ovariana, com flutuações hormonais significativas, especialmente nos níveis de estradiol e hormônio folículo-estimulante.
A menopausa é definida retrospectivamente após 12 meses consecutivos de amenorreia. Já a perimenopausa compreende o período anterior, quando surgem irregularidades menstruais e sintomas associados às alterações hormonais.

O que acontece hormonalmente?
Durante a perimenopausa ocorre redução progressiva da reserva folicular ovariana. Isso leva a ciclos anovulatórios mais frequentes e flutuações acentuadas nos níveis de estradiol. Diferentemente do que muitos imaginam, o estradiol não cai de forma linear nesse período; ele pode apresentar picos elevados seguidos de quedas abruptas.
O FSH tende a aumentar progressivamente como resposta à redução da função ovariana. No entanto, seus níveis podem variar significativamente entre ciclos, o que limita seu valor diagnóstico isolado.
Principais sintomas da perimenopausa
Os sintomas mais frequentemente relatados incluem:
• Irregularidade menstrual (intervalos mais curtos ou mais longos entre ciclos)
• Fogachos e sudorese noturna
• Alterações do humor e irritabilidade
• Distúrbios do sono
• Redução da libido
• Fadiga
• Dificuldade de concentração
Estudos longitudinais demonstram que os sintomas vasomotores podem iniciar ainda na fase inicial da transição menopausal. Além disso, há aumento do risco de sintomas depressivos nesse período, especialmente em mulheres com histórico prévio.
O que vemos nos exames laboratoriais?
O diagnóstico da perimenopausa é predominantemente clínico. Entretanto, exames laboratoriais podem auxiliar na avaliação.
Alterações comuns incluem:
• FSH elevado (geralmente > 25–30 mUI/mL em fases mais avançadas)
• Estradiol flutuante (valores variáveis entre ciclos)
• Progesterona reduzida em ciclos anovulatórios
• AMH (hormônio antimülleriano) reduzido, refletindo baixa reserva ovariana
O AMH é considerado um marcador mais estável da reserva ovariana, podendo auxiliar na avaliação da transição. No entanto, nenhum exame isolado confirma o diagnóstico, que deve ser baseado na história clínica e padrão menstrual.
Como diagnosticar?
O sistema STRAW+10 (Stages of Reproductive Aging Workshop) é amplamente utilizado para classificar os estágios do envelhecimento reprodutivo feminino. Segundo esse modelo, a irregularidade menstrual persistente é o principal critério clínico para definição da transição menopausal.
Assim, mulheres acima de 40 anos com ciclos irregulares e sintomas compatíveis devem ser avaliadas considerando a possibilidade de perimenopausa.
O que pode ser feito?
O manejo depende da intensidade dos sintomas e do perfil clínico.
1. Terapia hormonal (TH)
A terapia hormonal continua sendo a opção mais eficaz para sintomas vasomotores moderados a graves. Em mulheres elegíveis, pode reduzir significativamente fogachos e melhorar qualidade de vida.
2. Abordagens não hormonais
Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e inibidores de recaptação de serotonina-noradrenalina (IRSN) demonstraram eficácia na redução de sintomas vasomotores.
3. Mudanças de estilo de vida
Exercício físico regular está associado à melhora de humor e qualidade do sono. Estratégias de manejo do estresse também são relevantes.
4. Fitoterápicos
Alguns fitoestrógenos podem oferecer melhora modesta de sintomas leves, embora com eficácia inferior à terapia hormonal.
Considerações finais
A perimenopausa é uma fase fisiológica de transição marcada por alterações hormonais complexas e sintomas variados. O diagnóstico é clínico, apoiado por exames laboratoriais quando necessário. O tratamento deve ser individualizado, considerando riscos, benefícios e preferências da paciente.
Com abordagem adequada, é possível reduzir sintomas e manter qualidade de vida durante essa fase.
Referências
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