Testosterona faz mal para o coração? Mitos, verdades e o que a ciência diz em 2025

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A testosterona é, sem dúvida, um dos hormônios mais debatidos na saúde masculina. Para alguns, ela é vista como um risco iminente ao coração; para outros, um “elixir” de vitalidade. No entanto, a verdade científica não está nos extremos, mas na individualização e no acompanhamento médico.
Neste artigo, vamos analisar o que a literatura médica de ponta — incluindo os estudos mais recentes de 2025 — revela sobre a relação entre testosterona e o sistema cardiovascular.

Resumo para quem tem pressa:

Monitoramento: O segredo da segurança está no controle de variáveis como o hematócrito e a pressão arterial

TRT (Reposição): Quando bem indicada e monitorada, estudos como o TRAVERSE mostram que não há aumento no risco de infarto ou AVC.

Uso Abusivo: Doses estéticas e suprafisiológicas podem causar hipertrofia patológica do coração e danos funcionais.

O coração possui receptores para testosterona?
Sim. O coração é um “órgão-alvo” dos andrógenos. Isso significa que as células do músculo cardíaco (cardiomiócitos) possuem receptores específicos que reconhecem e respondem a esse hormônio.

Esse fato é documentado desde a década de 80 (McGill Jr., 1980). A testosterona influencia diretamente o metabolismo celular e o crescimento das fibras musculares do coração (Marsh et al., 1998). Ter receptores não indica perigo; indica apenas que o hormônio exerce uma função biológica direta no órgão.

Reposição Médica vs. Uso Abusivo

É fundamental separar dois cenários que a mídia frequentemente confunde. Os riscos são completamente diferentes:

AspectoTerapia de Reposição (TRT)Uso Abusivo (Estético/Anabolizantes)
ObjetivoNormalizar níveis em homens com deficiênciaPerformance e estética extrema
DoseFisiológica (individualizada)Suprafisiológica (muitas vezes 10x maior)
Risco CardíacoNão aumentado (com monitoramento)Elevado (hipertrofia e arritmias)
Efeito no CoraçãoEstabilidade funcionalAlterações estruturais (coração “engrossado”)

  1. O perigo do uso abusivo (Estudo HAARLEM)
    No uso de doses altas para fins estéticos, o coração pode sofrer alterações estruturais. O estudo HAARLEM (2021) demonstrou que ciclos de anabolizantes aumentam a massa do ventrículo esquerdo e prejudicam sua função. Embora parte desse efeito seja reversível após a interrupção (Smit et al., 2021), o risco de uma cardiomiopatia — dano permanente ao músculo cardíaco — é real em usos prolongados (Iliakis et al., 2025).
  2. A segurança da Reposição Médica (Estudo TRAVERSE)
    O divisor de águas na medicina moderna foi o estudo TRAVERSE (2023), publicado no New England Journal of Medicine. Com mais de 5.000 pacientes monitorados, o estudo provou que a reposição de testosterona não aumentou o risco de eventos cardíacos maiores (infarto ou AVC) em comparação ao placebo, desde que feita com indicação correta.

Os pontos de atenção: O que o médico monitora?
Embora segura quando bem indicada, a testosterona exige vigilância em três pontos principais:

Apneia do Sono: A testosterona pode agravar quadros de apneia, que é um fator de estresse indireto para o coração.

Hematócrito (Sangue “Espesso”): A testosterona estimula a produção de glóbulos vermelhos. Se o hematócrito subir excessivamente, o sangue torna-se mais viscoso, aumentando o risco de trombose. A boa notícia: Isso é facilmente manejado com ajustes de dose ou sangria terapêutica.

Pressão Arterial: O hormônio pode causar retenção de sódio e água. Pacientes hipertensos devem ter um controle rigoroso durante o tratamento.

Conclusão: É seguro?

A resposta científica mais honesta em 2025 é: O risco não reside no hormônio em si, mas na forma como ele é utilizado.
Para homens com deficiência hormonal comprovada, a reposição traz benefícios metabólicos, melhora da composição corporal e qualidade de vida, sem comprometer a segurança cardiovascular. Já o uso sem acompanhamento, visando apenas estética imediata, ignora os limites fisiológicos do coração.
A testosterona não é vilã, nem milagre. É ciência e medicina.

Referências Científicas (ABNT)
AL-SHAREFI, A. et al. Current national and international guidelines for the management of male hypogonadism. Therapeutic Advances in Urology, 2020.
BHASIN, S. et al. Testosterone therapy in men with hypogonadism: An Endocrine Society clinical practice guideline. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, v. 103, n. 5, p. 1715–1744, 2018.
ILIAKIS, P. et al. Anabolic-androgenic steroids induced cardiomyopathy. Frontiers in Cardiovascular Medicine, 2025.
LINCOFF, A. M. et al. Cardiovascular safety of testosterone-replacement therapy. New England Journal of Medicine, 2023.
MARSH, J. D. et al. Androgen receptors mediate hypertrophy in cardiac myocytes. Circulation, v. 98, n. 3, p. 256–261, 1998.
McGILL JR., H. C. The heart is a target organ for androgen. Science, 1980.
SMIT, D. L. et al. Anabolic androgenic steroids induce reversible left ventricular hypertrophy and cardiac dysfunction: The HAARLEM Study. Frontiers in Reproductive Health, 2021.

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